Blog de Sarita Borges

C'est la vie

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Últimas notícias…

Estou curtindo muito o feriadão.. hmm afinal só nele podemos ficar até mais tarde na internet, fazer arrumações na casa, ler bastante,ver um filme atrás do outro, acordar tarde, ouvir novas músicas, fazer novas setlists para as aulas…  bom né?

Bom, mas desejo contar aqui um pouquinho da vida. Estou adorando meu novo trabalho que é contribuir com o dia-a-dia da nossa Escola do Método DeRose e, principalmente, dar aulas.. nossa, isso tem sido muito bom pra mim! Entro na sala com energia e saio dela com muito mais! Se às vezes estou um pouco cansada e tenho que dar aula, ao terminar estou com um astral incrível… é muito bom mesmo, estar em contato com pessoas bacanas e poder ensinar um pouco da cultura que é a minha filosofia de vida. Estou me descobrindo e está sendo ótimo.

Quanto à cidade e as pessoas está sendo muito legal também. Nosso bairro, Moinhos de Vento, é uma delícia.. muito arborizado e com tudo o que precisamos pertinho de casa, podendo fazer tudo a pé. O clima agora está muito gostoso, dias ensolarados e com um leve friozinho no ar! As pessoas são muito queridas.. só estranhei um pouco o “tudo?” depois do “oi”. Fiquei esperando algo mais.. “tudo… o quê?” depois entendi que o “bem” está subentendido.. parece que os porto-alegrenses gostam de diminuir as palavras.. ok, tudo.

Nossos alunos são super queridos e os queremos cada vez mais próximos, para que consigamos formar um egrégora de pessoas legais, com bom-humor, boa cultura e bons hábitos. Tenho certeza que aos poucos isso irá acontecer. Trabalhamos para isso.

Nossa Escola é muito charmosa…, precisa de uma reforma, mas aos poucos estamos deixando ela mais bonita. Essa semana mesmo chegaram três novos móveis e eu e o Alexandre não parávamos de admirar, ficou muito legal. A reforma com certeza não acontecerá de uma hora para outra, mas de forma gradual, de acordo com as nossas possibilidades. O astral está muito bom, com flores e maçãs frescas para os alunos e visitantes.

Claro que temos dificuldades, há momentos em que os olhos se enchem de lágrimas e algumas palavras de incentivo são necessárias para que levantemos a cabeça e continuemos. Então eu penso na frase deste grande homem…

“Obstáculos e dificuldades fazem parte da vida e a vida é a arte de superá-los. DeRose

Agradeço a todas as pessoas que tem nos ajudado, seja com palavras, seja com idéias ou ações. Não queremos nada mais que uma escola legal com muitos alunos identificados com a nossa proposta, para que possamos, através do nosso exemplo, tornar esta pequena parte do mundo um lugar melhor para viver, com pessoas cada vez mais sensíveis, conscientes, amorosas e lúcidas.

O bom é ir curtindo isso tudo ao longo do caminho, sentir a transformação das pessoas ao nosso redor e a nossa própria transformação. Conseguir perceber que podemos mudar para melhor –  nem que às vezes pareça que está tudo errado – que somos senhores do nosso destino e podemos compartilhar isso com muitas pessoas. Compartilhar e aprender, sempre!

José e Pilar

No mês passado aconteceu a estreia do documentário José e Pilar, sobre o escritor português José Saramago, e sua esposa, a jornalista espanhola Pilar Del Rio. O filme foi dirigido pelo português Miguel Gonçalves Mendes, que acompanhou e registrou o dia a dia dos dois por quase três anos. Ainda não assisti, mas quero muito ver. Abaixo você confere uma entrevista retirada da Revista Elle com Pilar. Dá para sentir pelas suas palavras o desprendimento em seu relacionamento com Saramago e a leveza com que ela encara o momento atual. Inspirador…

Como foi ter Miguel filmando direto a sua rotina?
Foi natural como a água. Miguel simplesmente se integrou a nossa vida e nada mais do que isso. A rotina não se alterou.

Você não teve nenhum receio de ele estar sempre lá, registrando o seu cotidiano?
Não. Nossa casa sempre esteve aberta e nunca tivemos receio de conviver com pessoas como nós – que vivem como nós, que sonham como nós e que sofrem como nós… Mas que não são filmadas sempre. Ah, é evidente que existem coisas que não deixamos ser gravadas. O Miguel queria nos mostrar nadando na piscina, e eu disse não. Mas, em linhas gerais, o filme retrata fielmente tanto Saramago como eu.

O que você achou do resultado?
Gostei muito do que vi, sobretudo porque reconheci Saramago em sua totalidade, em sua intimidade, em sua vida pública e privada. E é justamente esse Saramago que gosto de compartilhar com os espectadores.

Como foi enfrentar o luto ao ver o documentário?
Não estou de luto porque sou uma pessoa que teve o privilégio de compartilhar 24 anos de vida com Saramago. Essa é a íntima satisfação que me acompanhará em todos os meus dias.

Saramago faz inúmeras reflexões sobre a morte no filme. Isso esteve mais intenso nos últimos anos?
A civilização atual tenta ignorar a morte, mas ela é a única realidade que temos: todos iremos morrer. E falar dela é tão natural quanto falar de beber um copo de vinho. Saramago escreveu um romance belíssimo chamado As Intermitências da Morte, que teve uma linda leitura com Gael García Bernal no México. Ele já falava da morte, e não era por estar doente. Não se tratava de um problema pessoal. Esse assunto sempre nos acompanhou.

A rotina alucinante de compromissos que você e José mantinham foi se intensificando ao longo dos anos?
Não, não piorou. Mas também não diminuiu. Saramago com 63 anos, idade em que o conheci, e aos 87, quando morreu, tinha o mesmo trabalho, esforço, indignação e a mesma visão de mundo. Ele não deixou de ler o jornal todos os dias — só não leu no último porque morreu antes que ele chegasse em casa.

Do que você sente mais falta na convivência com ele?
Não sinto falta de Saramago ou da convivência. Vivia 24 horas por dia por Saramago e ainda vivo 24 horas por dia por ele. Eu o tenho incorporado a mim. Está incorporado, ponto. Está no meu sangue. Hoje presido a Fundação José Saramago, organizo atividades e eventos sobre ele, traduzo obras…

Qual era o segredo da relação carinhosa de vocês?
A convivência com outra pessoa exige que se dê tudo, da manhã à noite. Não se pode deixar que nada fique para amanhã. Estávamos juntos, todos os dias, a fazer algo pelo mundo.

Pilar, em uma das cenas do documentário

Apenas pensamentos.

Aflorar. Deixar-se conhecer. Deixar-se questionar e se sentir bem com isso. Procurar. Querer saber mais e conhecer mais. Muitas vezes este sentimento está presente e não conseguimos deixar que isso venha à tona. Permitir-se descobrir um novo mundo, pleno de possibilidades e realidades. Como é bom sentir que a cada dia me conheço mais e posso ir mais além, permitindo-me estar com a cabeça nas nuvens e os pés no chão.  Saber que estou aprendendo algo muito nobre e estou muito próxima de compartilhar essas descobertas com muitas pessoas. Sempre adorei a idéia de ensinar. Estou vivendo um grande momento.

Pensamentos de uma sexta-feira à noite.

Vida, inverno, chocolate quente…

A leiteira já estava em cima do fogão. Despejou-se nela um litro de leite e também um pouco daquele líquido consistente e delicioso, o leite condensado. O fogão foi ligado e a alquimia, pouco a pouco, iniciou. A ação tornou-se com mais sentido e cor, quando colheres de chocolate em pó começaram a deslizar da colher rumo àquela combinação… Talvez uma colherada de café caia bem também. Pausa para recostar-se sobre a janela e admirar o céu num tom um pouco mais escuro que de costume, o vento que move as as folhas em velocidades disformes… Um cenário possível de se contemplar por horas… Mas, não se pode olvidar que há algo em plena transformação na cozinha. Assim, o fogo é desligado e a caneca preferida é retirada do armário. Os dois, caneca e líquido cremoso de tom escuro, fundem-se e recebem o pó de canela para dar o toque final. Hmm.. o aroma é inconfundível. Vou ao sofá e me sento naquele ladinho que eu mais gosto. A caneca aquece minhas mãos enquanto me coloco a pensar nos bons momentos do dia, as pessoas que encontrei e os sorrisos compartilhados. Viver, é realmente uma experiência fabulosa. Extraordinário e ainda melhor é quando temos alguém com quem compartilhar esses momentos! Inspiração para um chocolate ainda mais gostoso.

Seja bem-vindo, inverno! Gosto muito dessa sua passagem em minha vida! Traga consigo muitos sorrisos, temperados com um delicioso líquido cor de chocolate!

très délicieux